E mais uma vez pronunciei a palavra secreta em silêncio
Já perdi as contas, quantas vezes quase cuspi o dizer
proibido
Proibido talvez pelo excesso de vezes que alguém já disse em
vão
Sem pensar, sem sentir
E eu sem dizer...
Jogo a frase muda no ar
E me despeço do real
Finjo ou acredito que você entendeu
Que sabe ouvir o vazio
Que entende um “...” mudo
Que se desconecta do óbvio em busca do absurdo
Porque é tudo tão absurdo que nem a palavra mais óbvia sai
Mas se ainda não percebeu
Posso te contar um segredo
Eu sempre digo em pensamento
As vezes até tento me fazer notar,
Respiro fundo, paro meu olhar no teu
E deixo por um instante, as emoções me paralisar
Então, a frase se repete incontrolavelmente
De uma maneira que jamais conseguiria dizer em voz alta
As vezes penso que guardo para mim,
Que espero pelo momento certo
Que evito para não me precipitar
Não te assustar
Mas a verdade é que digo
Digo sem voz, digo por tantos outros sentidos
E sem querer já disse mais de mil vezes
O que talvez eu ainda não devesse dizer...