quarta-feira, 12 de novembro de 2014

P.S.


E mais uma vez pronunciei a palavra secreta em silêncio
Já perdi as contas, quantas vezes quase cuspi o dizer proibido
Proibido talvez pelo excesso de vezes que alguém já disse em vão

Sem pensar, sem sentir
E eu sem dizer...
Jogo a frase muda no ar
E me despeço do real
Finjo ou acredito que você entendeu
Que sabe ouvir o vazio
Que entende um “...” mudo

Que se desconecta do óbvio em busca do absurdo
Porque é tudo tão absurdo que nem a palavra mais óbvia sai

Mas se ainda não percebeu
Posso te contar um segredo
Eu sempre digo em pensamento
As vezes até tento me fazer notar,
Respiro fundo, paro meu olhar no teu
E deixo por um instante, as emoções me paralisar
Então, a frase se repete incontrolavelmente
De uma maneira que jamais conseguiria dizer em voz alta
As vezes penso que guardo para mim,
Que espero pelo momento certo
Que evito para não me precipitar
Não te assustar
Mas a verdade é que digo
Digo sem voz, digo por tantos outros sentidos
E sem querer já disse mais de mil vezes
O que talvez eu ainda não devesse dizer...


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Dali e daqui

Me desmancho de amor 

Na sombra de um amanhecer mudo


Me diluo como a água


Sigo a correnteza do rio


Que riu em frente a minha cara lavada

Debochando da dor

Num riso sem sentido e sem magoa

Costurando a tristeza toda em minha cara...



                                      

 Ju Campos.